segunda-feira, 18 de maio de 2009

A Chama Olímpica



Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Chama_Ol%C3%ADmpica

A Chama Olímpica é um dos símbolos dos Jogos Olímpicos, e evoca a lenda de Prometeu que teria roubado o fogo a Zeus para o entregar aos mortais. Durante a celebração dos Jogos Olímpicos antigos, em Olímpia, mantinha-se aceso um fogo que ardia enquanto durassem as competições. Esta tradição foi reintroduzida nos Jogos Olímpicos de Verão de 1928. Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936, pela primeira vez ocorreu uma estafeta de atletas para transportar uma tocha com a chama, desde as ruínas do templo de Hera em Olímpia até ao Estádio Olímpico de Berlim, como uma maneira de promover a ideologia Nazista.

Na antiguidade, o fogo era considerado sagrado por muitos povos, incluindo os gregos, que tinham uma lenda segundo a qual o fogo teria sido entregue aos mortais por Prometeu que o roubara de Zeus. Devido à importância do fogo, em muitos templos eram mantidas chamas acesas permanentemente. Este era o caso do templo de Hestia na cidade de Olímpia.

Segundo se sabe, a tradição de manter um fogo aceso durante os Jogos Olímpicos remonta à antiguidade, quando se efectuavam sacrifícios a Zeus. Nessas cerimónias, os sacerdotes acendiam uma tocha e o atleta que vencesse uma corrida até ao local onde se encontravam os sacerdotes teria o privilégio de transportar a tocha para acender o altar do sacrifício. O fogo era então mantido aceso durante os Jogos como homenagem a Zeus.

Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1928, em Amsterdã, o arquiteto neerlandês Jan Wils incluiu no desenho do estádio olímpico uma torre e teve a ideia de acender nela uma chama durante os jogos. Na cerimónia de abertura, em 28 de Julho de 1928, um empregado da empresa de electricidade de Amesterdão acendeu a primeira pira olímpica, na torre chamada Marathontower.

Quatro anos mais tarde, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1932, voltou-se a acender uma chama durante os Jogos no Estádio de Los Angeles. Durante a cerimónia de encerramento foi apresentada uma citação de Pierre de Coubertin que dizia: "Que a Tocha Olímpica siga o seu curso através dos tempos para o bem da humanidade cada vez mais ardente, corajosa e pura"

Em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim, Carl Diem concebeu a cerimónia do transporte da chama Olímpica desde o antigo local de realização dos Jogos em Olímpia na Grécia, até ao estádio onde se realizavam os Jogos. Mais de 3000 atletas realizaram uma estafeta para transportar a tocha desde Olímpia até Berlim, onde o corredor Fritz Schilgen acendeu a chama na cerimónia de abertura a 1 de Agosto. A estafeta da tocha passaria a fazer parte dos Jogos Olímpicos.

Também nos Jogos Olímpicos de Inverno, a chama Olímpica ardeu nos Jogos de Inverno de 1936 e de 1948, mas a primeira estafeta da tocha teve lugar no Jogos de 1952. Nessa ocasião, o fogo não foi ateado em Olímpia mas sim em Morgedal, na Noruega, na lareira da casa de Sondre Norheim, que foi o pioneiro do desporto de esqui. Foi também aí que foi ateado o fogo nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1960 e 1994. Excepto esses anos e em 1956, ano em que foi acesa em Roma, em todos os outros Jogos de Inverno a chama foi acesa em Olímpia.

Uns meses antes de cada realização dos Jogos Olímpicos (a data exata varia de acordo com a duração do percurso até ao Estádio Olímpico), a chama é ateada em Olímpia, frente às ruínas do templo de Hera, numa cerimónia que pretende recriar o método usado na antiguidade e que se destinava a garantir a pureza da chama: actrizes representando sacerdotisas de Hestia colocam uma tocha na concavidade de um espelho parabólico que concentra os raios da luz do Sol que, agora como na antiguidade, acende a chama que marcará o início de mais uma realização dos Jogos.

Em seguida, a chama é transferida para uma urna que é levada até ao local do antigo estádio. Aí a chama é usada para acender a tocha olímpica, transportada pelo atleta que fará o primeiro percurso da estafeta, que conduzirá a chama ao longo do percurso até ao estádio onde se realizam os Jogos.

Como prevenção, uns dias antes acende-se uma chama, usando o mesmo método, que é então mantida acesa para ser usada caso o céu esteja nublado no dia da cerimónia. Para os Jogos Olímpicos de Inverno o procedimento é semelhante, excepto que a passagem da chama para o primeiro estafeta é feita em frente ao monumento em homenagem a Pierre de Coubertin.

Ao longo do tempo manteve-se a tradição de transportar a tocha Olímpica com uma estafeta de atletas, mas em certas ocasiões utilizaram-se meios de transporte especiais, quer por motivos de necessidade, quer por motivos de espectacularidade.

A chama Olímpica viajou de barco pela primeira vez para atravessar o Canal da Mancha em 1948 e teve o seu baptismo de voo quando foi transportada em avião para Helsínquia em 1952. Devido às restritivas leis de quarentena em vigor na Austrália, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1956 os eventos de equitação realizaram-se separadamente e a tocha olímpica foi transportada a cavalo no seu percurso até Estocolmo, onde se realizaram as provas equestres.

Em 1976 foram utilizados meios espectaculares para transportar a chama. O fogo foi transformado num impulso eléctrico que foi enviado desde Atenas, via satélite, até ao Canadá onde foi reacendido por um feixe de laser. Em 2000 a tocha foi transportada debaixo de água por mergulhadores perto do Grande Barreira de Coral. Outros meios de transporte fora do comum incluíram a utilização de pirogas, camelos e o avião supersônico Concorde.

É já tradicional que o acender da chama durante a cerimônia de abertura do jogos seja efetuado de forma original e espetacular. Nos Jogos de Barcelona 1992, o arqueiro paraolímpico Antonio Rebollo disparou uma flecha com fogo até a Pira Olímpica desde o lado oposto do estádio. Porém ele errou o alvo e a Pira Olímpica foi acesa através de um dispositivo elétrico. Dois anos mais tarde, em Lillehammer 1994, a tocha Olímpica entrou no estádio transportada por um saltador de esqui, e a honra de acender a pira coube a S.A. Principe Haakon da Noruega. Em Pequim 2008 a tocha foi levada por Li Ning, que, suspenso por cabos, sobrevoou a circunscrição do estádio até atingir a Pira olímpica.

Em Moscou 1980, Sergei Belov subiu até a pira passando por cima da platéia que segurava placas formando um caminho.

Em todas as Olimpíadas, o atleta sobe até o local da pira e a acende. Em Atenas 2004, pela primeira vez a pira veio "receber" o fogo, simbolizando a volta das Olimpíadas à Grécia; enquanto Nikolaos Kaklamanakis cruzava o corredor no meio dos atletas, a pira se "curvava" para receber o fogo.

Mas nem sempre tudo corre bem. Nos Jogos de Sydney em 2000, o mecanismo que transportava a pira parou, ficando este suspenso durante cerca de três minutos, após o que continuou a sua subida até à torre.

Com o tempo tornou-se também tradição que o último dos corredores que transportasse a tocha fosse um atleta ou ex-atleta famoso. O primeiro deles foi o campeão Olímpico Paavo Nurmi em 1952. Mais recentemente, entre esses famosos "finalizadores" da estafeta da tocha, incluem-se o craque francês de futebol, Michel Platini (1992) e o campeão de pesos pesados de boxe, Muhammad Ali (1996).

Noutras ocasiões, as pessoas que acendem a chama no estádio não são famosas mas mesmo assim representam os ideais olímpicos. O corredor japonês Yoshinori Sakai nasceu em Hiroshima a 6 de Agosto de 1945, o dia em que a bomba nuclear destruiu aquela cidade. Ele simbolizou o renascimento do Japão após a II Guerra Mundial, quando acendeu a chama nos Jogos de Tóquio em 1964. Nos Jogos de Montreal, em 1976, dois adolescentes, um da parte francófona e outra da parte anglófona do Canadá, simbolizaram a união do país.

A Carta Olímpica



A Carta Olímpica, atualizada pela última vez em 7 de julho de 2007, é um conjunto de regras e guias para a organização dos Jogos Olímpicos, e para o comando do Movimento Olímpico. Adotada pelo Comitê Olímpico Internacional, é o código dos Princípios Fundamentais, Regras e Estatutos. Francês e inglês são as línguas oficiais da Carta. Entretanto, durante reuniões do COI, a carta é traduzida para alemão, espanhol, russo e árabe. Se, em algum momento, houver discrepância entre as versões, a versão da língua francesa prevalece.

Através da história dos Jogos Olímpicos, a Carta Olímpica tem freqüentemente decidido controvérsias. Como expresso na sua introdução, a Carta possui três propósitos principais:

Estabelecer princípios e valores do Olimpismo;
Servir como código do COI;
Definir direitos e obrigações dos três constituintes principais do Movimento Olímpico: o COI, as Federações Internacionais e os Comitês Olímpicos Nacionais, e o Comitê Organizador de cada edição dos Jogos.

Com cinco capítulos e sessenta e um artigos, a Carta Olímpica define com detalhes regras e guias. Os artigos destacam e sumarizam os itens considerados mais importantes para a administração dos Jogos, do Movimento Olímpico e de seus três componentes principais.

Se você tiver a curiosidade de ver o que diz a Carta Olímpica Internacional, ela está (em inglês) disponível em pdf no http://multimedia.olympic.org/pdf/en_report_122.pdf

O Hino Olímpico



Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hino_Ol%C3%ADmpico

O Hino Olímpico (Grego: Ολυμπιακός Ύμνος) foi composto pelo grego Spirou Samara, com letra do poeta grego Kostis Palamas em 1896. O hino foi adotado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 1958. É executado durante a Cerimônia de Abertura de cada edição, quando a Bandeira Olímpica é hasteada, e na Cerimônia de Encerramento, quando ela é baixada.

O hino começou a ser cantado em grego, mas em várias edições foi traduzido para o idioma do país anfitrião. Em Sydney 2000, o hino voltou a ser cantado em grego na Cerimônia de Abertura, o que foi repetido em Pequim 2008 (em Atenas 2004, por motivos óbvios, o hino também foi cantado em grego). Em Turim 2006 e nos Jogos Panamericanos Rio 2007 foi utilizada uma versão instrumental e resumida do Hino.

Eis a letra do hino olímpico:

Αρχαίο Πνεύμ' αθάνατο, αγνέ πατέρα
του ωραίου, του μεγάλου και τ'αληθινού,
κατέβα, φανερώσου κι άστραψ'εδώ πέρα
στην δόξα της δικής σου γης και τ'ουρανού.

Στο δρόμο και στο πάλεμα και στο λιθάρι,
στων ευγενών Αγώνων λάμψε την ορμή,
και με τ' αμάραντο στεφάνωσε κλωνάρι
και σιδερένιο πλάσε κι άξιο το κορμί.

Κάμποι, βουνά και θάλασσες φέγγουν μαζί σου
σαν ένας λευκοπόρφυρος μέγας ναός,
και τρέχει στο ναό εδώ, προσκυνητής σου,
Αρχαίο Πνεύμ' αθάνατο, κάθε λαός.

Tradução:

Oh! arcaico espírito imortal, imaculado pai da
beleza, da grandeza e da veracidade,
desça, se faça presente e faça brilhar aqui e
mais além, na Glória de sua Terra e Céu.

Na corrida, na luta e no arremesso, faça
brilhar o ímpeto das nobres competições,
modelando com aço e dignidade o corpo,
coroando-o com a imperecível rama do louro.

Campos, montanhas e mares se vão contigo tal
como um alvi-rubro magno templo, para o

qual se conduz aqui como seu peregrino, oh!
arcaico espírito imortal, cada nação.

A Bandeira Olímpica



Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_Ol%C3%ADmpica

A Bandeira Olímpica foi criada pelo Barão Pierre de Coubertin em 1914.
Segundo suas palavras: "A Bandeira Olímpica possui um fundo branco, com cinco anéis entrelaçados no centro: azul, amarelo, preto, verde e vermelho. Este desenho é simbólico; representa os cinco continentes habitados do mundo, unidos pelo Olimpismo, enquanto as seis cores são aquelas que aparecem em todas as bandeiras nacionais até o presente momento."
Tradicionalmente, a bandeira é passada do prefeito da cidade sede dos Jogos que se encerram para o prefeito da cidade sede seguinte durante a Cerimônia de Encerramento. A bandeira é, então, levada para a nova sede e exposta na prefeitura.

O Sonho de um homem... o maior espetáculo esportivo do planeta...


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jogos_Ol%C3%ADmpicos

Os Jogos Olímpicos (também conhecidos como Olimpíadas) são uma série de eventos desportivos que ocorre a cada quatro anos, após o período da olimpíada, e que reúne atletas de quase todos os países do mundo, para competirem em várias categorias de desporto como, por exemplo, o Atletismo, Natação ou a Ginástica. Aos três primeiros classificados de cada prova, são atribuídas medalhas de ouro (primeiro classificado), prata (segundo classificado) e bronze (terceiro classificado). O período decorrido entre duas edições dos Jogos Olímpicos chama-se Olimpíada.

Tradicionalmente costuma-se afirmar que os primeiros Jogos foram realizados na Grécia Antiga no ano 776 a.C., como uma importante celebração e tributo aos deuses. Tendo sido proibidos pelo imperador cristão Teodósio I em 393 da era actual, por serem uma manifestação do paganismo.

Porém, em 1896, um aristocrata francês, Barão de Coubertin, recuperou os Jogos tentando reavivar o espírito das primeiras Olimpíadas, que passaram a ser realizadas de quatro em quatro anos desde então (como a tradição grega), tendo sido interrompidos apenas durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.

Inicialmente, os Jogos eram disputados apenas por atletas amadores. Entretanto, no fim do século XX, a competição foi aberta a atletas profissionais.

Dada a importância e a visibilidade dos Jogos para o mundo, estes têm também, nos últimos anos, sido usados como espaço para confrontos políticos e reivindicações, de que são os piores exemplos o massacre de Munique em 1972, em que membros da comitiva israelense foram feitos reféns por extremistas palestinos (ou palestinianos) e os boicotes durante a Guerra Fria, aos Jogos de 1980 e 1984, pelo bloco de países soviéticos e pelos Estados Unidos, respectivamente, e também o atentado à bomba ocorrido em Atlanta em 1996.

No entanto, num exemplo de aproximação e reconciliação entre os povos, de que os Jogos Olímpicos pretendem ser símbolo, a Coréia do Norte e a Coréia do Sul, participaram nos Jogos de Sydney em 2000 e de Atenas em 2004 desfilaram nas cerimônias sob uma única bandeira. Entretanto as negociações para o ano de 2008 não tiveram êxito, e os dois países voltaram a desfilar separadamente.

A origem dos Jogos Olímpicos na Grécia Antiga é frequentemente associada à celebração do esporte e do culto à beleza estética humana, como se estes fossem seus objetivos principais. Fala-se pouco, porém, na intenção mística e fúnebre de saudar os mortos de cada cidade. No canto XXIII da Ilíada, Homero relata detalhadamente as competições fúnebres que precederam a cremação de Pátroclo, escudeiro de Aquiles.

Num período de quatro em quatro anos, cada pólis ou cidade-estado da Grécia dedicava um dia do ano (a primeira lua cheia do verão do hemisfério Norte) para reverenciar os falecidos nesse quadriênio, e reuniam num campo os pertences dos mortos e abandonavam momentaneamente a cidade, para deixar que os espíritos passeassem entre suas lembranças de vida terrena. Isso após as sacerdotisas acenderem uma chama que os rapazes levavam até o templo do deus-patrono da cidade. Em Corinto, um dos principais portos gregos, situado no istmo que liga a península do Peloponeso ao continente, esses jogos eram chamados de Jogos Ístmicos. Em Delfos, onde havia o famoso oráculo de Apolo, eram Jogos Píticos. Em Argos eram Jogos Nemeus. Este conjunto de jogos, juntamente com os Jogos Olímpicos que se realizavam em Olímpia, perto de Elis, ficaram conhecidos como jogos pan-helénicos

Na cidade de Olímpia (que, diferentemente do que afirma o senso comum, não fica aos pés do Monte Olimpo) havia um templo de dimensões magníficas, dedicado a Zeus. Como todo deus da Antigüidade Clássica possuía variações, de acordo com o mito, a cultura e as particularidades que cada cidade-estado lhe atribuía, este Zeus era o chamado Zeus Olímpico, e junto a seu templo se realizavam os jogos esportivos idênticos aos das outras cidades. Porém era em Olímpia que os jogos atingiam sua plenitude, em organização e número de participantes, e onde desenvolveram-se como competições regulares e de extrema importância para todos os helênicos – e eram chamados Jogos Olímpicos.

Com regulamentos a princípio simples e mais tarde bem complexos e rígidos, os Jogos Olímpicos se realizaram com praticamente nenhuma interrupção, do século VIII a.C. ao V d.C. (mais de mil anos, portanto), mas com diversas modificações. Tanto que, ao serem proibidos por édito do Imperador Teodósio I, já tinham se desvirtuado em longas orgias e bacanais de pouca conotação esportiva.

Ainda assim, a festa começara como celebração dos mortos, e já atraía gigantescas procissões de gregos de várias cidades-estado. Era algo inevitável, pois, que surgissem algumas rixas ou contendas entre os peregrinos. Para distrair esses brigões e proteger a paz das celebrações religiosas, a “organização do evento” passou a promover competições esportivas simultâneas ao culto.

O registro mais antigo dos Jogos Olímpicos que chegou aos nossos dias data de 776 a.C.. Trata-se de uma inscrição num disco de pedra, encontrada nas ruinas do templo de Hera em Olímpia, que refere o acordo de tréguas e manutenção de paz durante a realização dos Jogos Olímpicos, selado entre os reis Ifitos de Ilía, Licurgo de Esparta e Clístenes de Pisa. Com o tempo, outros reinos se foram juntando a este acordo, e a partir daí os Jogos Olímpicos tornaram-se competições de paz, primeiro entre os homens, depois nações entrarem em guerra.

No entanto, as nações que havia em 1896, quando as Olimpíadas retornaram, eram diferentes demais daquelas da Antigüidade. Eram países imensos, não mais cidades, e tinham complicadas formas de escolher seus líderes, no lugar dos governos simplificados dos gregos. E possuíam identidades nacionais tão diversas quanto os gregos antigos jamais conheceriam.

O desporto institucionalizado em clubes, ligas e federações é algo que surge somente na Europa na segunda metade do século XIX – muito recente, portanto. Isso já seria uma explicação suficiente para a demora no retorno dessa tradição, porém o fato mais importante reside no interesse suscitado pelo Classicismo por essa época (final do Romantismo europeu), o que fez com que inúmeras escavações fossem realizadas no território dos antigos domínios da Grécia – inclusive Olímpia.

O Templo de Zeus e o estádio na antiga cidade, que haviam sido soterrados desde a Antiguidade, foram descobertos e, seguindo essa novidade, Pierre de Fredi, Barão de Coubertin, jovem herdeiro parisiense de uma rede de hotéis, entusiasta do esporte em várias modalidades, resolveu pesquisar a fundo, em bibliotecas e acervos de todo o continente, os antigos regulamentos olímpicos e suas tradições.

Retornar com os Jogos Olímpicos seria uma forma de celebrar a paz entre as nações, pensa o Barão Pierre de Coubertin, numa época em que seu país acabara de ser humilhado numa guerra-relâmpago com a Alemanha. Assim, ele lança sucessivos apelos, tanto aos governos quanto às entidades esportivas dos países mais poderosos da Europa, para que voltem a realizar essas competições, à semelhança daqueles da Antigüidade. Em 1892, num congresso na Sorbonne, o Barão consegue que alguns países se comprometam a enviar atletas para a primeira competição olímpica da Era Moderna, cujo local ainda seria decidido.

Em 1894 é criado o Comitê Olímpico Internacional (COI), entidade não-governamental que seria inicialmente presidida por Demetrius Vikelas e mais tarde pelo próprio Pierre de Coubertin . Inicialmente Coubertin desejava que os primeiros Jogos Olímpicos se realizassem em 1900 em Paris, mas ficou decidido que se realizariam antes em Atenas em 1896, o que inicialmente provocou alguns problemas, devido à dificuldade em obter apoio financeiro por parte do governo grego. Com o empenho do COI foi possível obter o apoio da Família Real da Grécia, principalmente do Príncipe Constantino, para que os primeiros jogos em Atenas se tornassem realidade (o sistema de rotatividade entre cidades do mundo só foi definido anos depois). Assim, em Abril de 1896, começam na capital grega os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, realizados regularmente a cada quadriênio desde então.

O Barão era contra a presença de mulheres nas disputas. Mas, por pressão do movimento feminista, cada vez mais atuante, elas ganharam o direito de competir nos Jogos Olímpicos de Paris em 1900. Eram seis tenistas e cinco golfistas, que enfrentaram as recusas dos organizadores.

Apesar de serem, em teoria, um evento para participação mundial, é inegável que as Olimpíadas possuam um caráter ainda centralizado no hemisfério norte, onde surgiram, e onde se localiza a maior parte dos tais “países desenvolvidos”. Não por acaso, as Olimpíadas são jogos de verão, mas o verão do norte, que vai de junho a setembro, quando os atletas têm calor suficiente para treinar e competir. Deixam de fora, assim, os chamados “esportes de inverno”, que necessitam de neve para sua realização, fundamentalmente. Para abrigar essas modalidades, o COI cria, em 1947, os Jogos Olímpicos de Inverno, disputados sempre no hemisfério Norte, anteriormente coincidindo com os quadriênios dos Jogos originais, e mais tarde (a partir de 1994) se alternando, com diferença de dois anos entre cada evento.

Prosseguindo seus projetos de abrir as modalidades olímpicas a todos os esportistas do mundo, o COI cria as Paraolimpíadas em 1952, dedicadas especificamente aos atletas com alguma deficiência física. Excetuando de 1968 a 1984, esses Jogos Paraolímpicos foram realizados nas mesmas cidades dos jogos convencionais.

Curiosamente, nos Jogos da Antigüidade, os países abandonavam todo o conflito político-militar quando chegasse a época dos esportes. O próprio caráter internacional da competição teve início quando três reis de cidades-estado gregas assinaram um tratado de paz em Olímpia, prometendo enviar para lá, a cada quatro anos, seus melhores atletas, obrigando-se a trégua caso estivessem em guerra. O século XX fez com que essa tradição fosse invertida: os Jogos é que se interromperam quando as guerras estouravam, e isso ocorreu três vezes até hoje (1916, 1940 e 1944). Essas duas guerras também viram morrer vários atletas, inclusive medalhistas, que acabaram se convertendo em soldados – continuavam disputando por suas bandeiras, mas a derrota nessa outra contenda é sempre inaceitável. A triste ironia faz parecer que os Jogos Olímpicos ainda precisam transcender o estatuto de instituição esportiva e passar a ser efetivamente uma força de união pacífica global – exatamente o desejo que o Barão de Coubertin deixou em seu testamento.

escolha da cidade dos Jogos realiza-se em reunião do COI (Comité Olímpico Internacional) sete anos antes da prova (as Olimpíadas).

A escolha da cidade-sede é feita em duas etapas. Na primeira delas são analisados 11 critérios e as candidatas recebem notas de 1 a 10. Na recente eleição de Londres como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2012, por exemplo, Rio de Janeiro, Leipzig (Alemanha), Havana (Cuba) e Istambul (Turquia) foram desclassificadas nesta fase.

A segunda etapa da seleção é mais exigente. Isso inclui uma avaliação de 17 critérios, além de uma visita da Comissão Avaliadora às cidades candidatas. Os critérios analisados são: Legado, apoio político, legislação, fronteira, meio ambiente, finanças, marketing, locais de prova, Para-olimpíadas, vila olímpica, saúde, segurança, acomodações, transporte, tecnologia, mídia e cultura. Essa avaliação se constitui na elaboração de um relatório apontando os principais pontos positivos e negativos de cada cidade.

Entre 1896 e 2008, os Jogos realizaram-se por quinze vezes na Europa, seis vezes na América do Norte, três vezes na Ásia e duas na Oceania. Desde 1986, têm sido raras as candidaturas originárias da América Central e do Sul e de África: apenas Rio de Janeiro como candidata aos Jogos de 1936, Brasília como candidata aos Jogos de 2000, Buenos Aires, Rio de Janeiro e a Cidade do Cabo como candidatas aos Jogos de 2004 e o Rio de Janeiro candidata aos Jogos de 2012. Para os Jogos de 2016 as cidades candidatas são: Rio de Janeiro no Brasil, Tóquio no Japão, Madrid na Espanha e Chicago nos Estados Unidos. Se pré-candidataram mas foram excluídas Praga na República Checa, Bacu no Azerbaijão e Doha no Qatar.